sábado, 20 de novembro de 2010

O que me dá asas...

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"A explicação para o amor"

Contam que, uma vez, se reuniram os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da terra.
Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, lhes propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE, sem poder conter-se, perguntou: Esconde-esconde? Como é isso?
- É um jogo, explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará meu lugar para continuar o jogo. O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA.
A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou convencendo a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessava por nada.
Mas nem todos quiseram participar.
A VERDADE preferiu não esconder-se, para quê? Se no final todos a encontravam?
A SOBERBA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a COVARDIA preferiu não arriscar-se.
- Um, dois, três, quatro... - começou a contar a LOUCURA.
A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.
A FÉ subiu ao céu e a INVEJA se escondeu atrás da sombra do TRIUNFO, que com seu próprio esforço, tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.
A GENEROSIDADE quase não consegue esconder-se, pois cada local que encontrava lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos - se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA; se era a copa de uma árvore, perfeito para a TIMIDEZ; se era o voo de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA; se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE. E assim, acabou escondendo-se em um raio de sol.
O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cómodo, mas apenas para ele.
A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris), e a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões.
O ESQUECIMENTO, não recordo-me onde escondeu-se, mas isso não é o mais importante.
Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.999, o AMOR ainda não havia encontrado um local para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou um roseiral e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.
- Um milhão - contou a LOUCURA, e começou a busca.
A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra. Depois, escutou-se a FÉ discutindo com Deus no céu sobre zoologia.
Sentiu-se vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões.
Em um descuido encontrou a INVEJA, e claro, pode deduzir onde estava o TRIUNFO.
O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo. Ele sozinho saiu disparado de seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.
De tanto caminhar, a LOUCURA sentiu sede, e ao aproximar-se de um lago descobriu a BELEZA.
A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder-se.
E assim foi encontrando a todos.
O TALENTO entre a erva fresca; a ANGÚSTIA em uma cova escura;
a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano);
e até o ESQUECIMENTO, a quem já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde.
Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local.
A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada rocha do planeta, e em cima das montanhas.
Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral.
Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito.
Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos.
A LOUCURA não sabia o que fazer para desculpar-se chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.
Desde então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na terra: O AMOR é cego e a LOUCURA sempre o acompanha.

sábado, 13 de novembro de 2010

Antes de partir...

"P/Aldé"



Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
As lágrimas já secaram... A saudade é um silêncio que espera.
Ainda lembro o doce daquela melancia: a mais doce de todas. Ainda lembro o teu sorriso contagiante, do teu abraço apertado...
Sinto saudades... E só se sente saudades do que nos faz bem, do que se ama. Por isso, tenho certeza, que por mais que o tempo passe, a saudade que sinto por você não findará, pois o meu amor por você será eterno.
Às vezes, na maioria delas, é preciso perder para aprender a dar valor. E assim, o ser humano escolhe o caminho mais difícil da aprendizagem. Com tantos exemplos à nossa volta, porque ainda esperamos ser tarde demais para poder arrepender-nos e voltarmos atrás?
Será que só vamos admirar o Sol quando ele deixar de brilhar? Será que só vamos apreciar o rio quando ele secar? E aquela bela flor, quando ela murchar?
Mas ainda dá tempo de recomeçar. Ainda há tempo para dar aquele abraço, aquele beijo... Ainda há tempo para dizer: mãe, pai, filho, irmão, amigo, companheiro... “EU TE AMO”
Hoje, em minhas orações, agradeço ao Pai do Céu e a você, Aldé. Pois fostes instrumento usado na obra de Deus para nos ensinar que a vida é só uma parada no trajeto que temos de percorrer para alcançar nosso destino... “chegar em casa”. Para nos ensinar também, que essa parada demora pouco tempo, e que devemos aproveitar ao máximo a estadia. Aproveitar cada segundo ao extremo! Pois não se sabe ao certo a hora que o governante desse trem nos chamará para seguirmos viagem. E que pode não haver tempo para despedias.
A viagem pode ser longa, e até difícil, mas o destino é compensatório.
Por isso eu sei que se pudéssemos ouvi-lo, você nos diria: “A todos que aí ficaram, aproveitem cada segundo da estadia. Aproveitem da maneira correta, pois sei que sabem qual é a maneira correta. Para isso, o governante do trem nos deixou um manual de instruções”.
E não se esqueçam do mais importante: “O amor”.

Hoje, posso definir tua presença como uma brisa: “Leve, suave... Não posso vê-la, nem tocá-la, mas posso senti-la”.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sim! simples, mas feliz!

P/ Lamartine Lincoln


 Tem gente que prefere fazer careta a dar risada;
tem gente que prefere parar , a seguir em frente;
tem gente que prefere ficar sozinho do que estar acompanhado;
tem gente de todo jeito nesse imenso e admirável globo que não pára de girar.
Eu...   prefiro o café da manhã da minha mãe;
tem gente que prefere um lanche no Mac Donald's.
Eu prefiro caminhar de pés descalços na grama molhada vendo o Sol nascer;
tem gente que prefere ir sozinho à praia lotada, mesmo sem conhecer ninguém...
Eu prefiro assistir à um filme em casa rodeada de amigos;
tem gente que prefere ir àquela boate que está bombando, mas que na verdade ainda não se encontrou graça nela...
Eu prefiro viver intensamente os bons momentos, e guardar para sempre;
tem gente que prefere beber, e depois não lembrar de nada...
Eu prefiro o som do vento na janela;
tem gente prefere ouvir uma música da qual nem entende a letra...
Eu prefiro ler a Bíblia;
tem gente que prefere consultar horóscopo,  mesmo tendo subconscientemente a certeza de que ele sempre dirá o que você quer ouvir, e não o contrário...
Eu prefiro aquele chinelo velho, mas que eu amo por ser o mais confortável;
tem gente que prefere salto alto, ainda que cause dores horríveis...
Eu prefiro o abraço do meu melhor amigo;
tem gente que prefere o autógrafo daquele ídolo o qual nem conhece...

Sempre podemos optar, temos o livre arbítrio. Podemos escolher entre as coisas fúteis e passageiras, ou...
a felicidade verdadeira e duradoura


"Eu prefiro ser feliz, simplismente feliz"